O CUME – Laboratório Interdisciplinar de Pesquisa em Cultura e Memória é espaço de pesquisa interdisciplinar que congrega pesquisadoras e pesquisadores interessados nos fenômenos da cultura, das artes e comunicações, da memória e seus processos de elaboração, organização e transmissão, no marco da história do tempo presente. Fundamentado na ideia da história como forma social de conhecimento, o laboratório investiga práticas posicionadas dentro e fora da produção acadêmica – e, com ainda mais ênfase, em suas bordas e porosidades –, valorizando formas plurais de elaboração, organização e transmissão da experiência.
Criado em 2019, o CUME surgiu inicialmente para agregar estudantes de pós-graduação e pesquisadores em estágio pós-doutoral. Hoje, constitui-se como um espaço permanente de interlocução e prática de pesquisa coletiva, orientado pelo compromisso com a observação das diversas práticas culturais, artísticas, editoriais, intelectuais, performáticas, corporais, entre outras, nas quais se plasmam atitudes de indagação da experiência histórica encenadas por sujeitos e grupos em diferentes espaços sociais.




Em um panorama amplo e eclético do ponto de vista temático, o CUME alinha-se a um entendimento expandido da cultura e da memória, assumindo referências fundamentais, como a concepção do semiólogo Iuri Lotman de que “cultura é memória” — isto é, de que a cultura não existe como simples depósito de informações, mas como mecanismo complexo de conservação baseado na relação entre memória e esquecimento.
A interdisciplinaridade, elemento central do laboratório, dialoga com a asserção de Astrid Erll de que nem cultura nem memória podem ser abordadas dentro do escopo de uma única disciplina, configurando problemas transdisciplinares que agudizam a presença e a premência do diálogo, em múltiplas instâncias. Estas vão da interlocução entre pesquisadores e sujeitos de pesquisa, por meio da história oral e de outras práticas de pesquisa pública e participativa que facultam interpretações partilhadas sobre os sentidos da rememoração, até a contribuição mútua entre a história e as demais disciplinas que configuram o panorama dos estudos da memória.
Da mesma forma, é central para as atividades do laboratório a noção de Jerusa Pires Ferreira de “cultura das bordas”, atitude teórica generosa e produtiva que observa os processos culturais, e por conseguinte memoriais, que atravessam domínios culturais distintos, canônicos e não canônicos, sempre em contiguidade, portando textos culturais que se comunicam. Essa abordagem se reflete no interesse do CUME por manifestações tidas como populares, pop/comerciais, ativistas, marginais, comunitárias, kitch, desafiando hierarquias e expandindo a compreensão da cultura e da memória como um campo de disputa, negociação e criação coletiva de sentido.
Registrado e certificado junto ao CNPq, o CUME apoia investigações individuais – colaborando assim para o aperfeiçoamento de pesquisadores graduados, pós-graduados e em formação –, formula e executa pesquisas coletivas, promove eventos e publicações, e realiza permanentemente grupos de estudo e discussão. O grupo está associado à Universidade Federal de São Paulo (Instituto das Cidades), à Universidade de São Paulo (Programa de Pós-Graduação em Estudos Culturais) e à Universidade do Estado de Santa Catarina (Programa de Pós-Graduação em História).